Nesta terça-feira, 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data foi definida com a intenção de ser um marco de maior acesso e participação igualitária das mulheres na ciência e pesquisa. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), as mulheres representam 33,3% dos pesquisadores no mundo e apenas 12% delas são membros de academias científicas nacionais. Nas áreas de tecnologia e inovação a presença de pesquisadoras é ainda menor: apenas uma em cada cinco profissionais.
No Espírito Santo, a doutora em Engenharia Civil e professora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) – Campus Nova Venécia, Marcela Giacometti, lidera o projeto “Mãos na Terra: nutrindo futuras pesquisadoras”, que tem o objetivo de promover a inclusão e a participação feminina nas ciências da Terra.
A iniciativa é desenvolvida por meio de implementação de programas de mentoria, workshops interativos e recursos educativos que visam fortalecer as habilidades científicas das mulheres, aumentar sua representatividade em campos historicamente dominados por homens e fomentar uma mudança cultural nas percepções de gênero em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (conhecida como STEM, na sigla em inglês).
“A ideia do ‘Mãos na Terra’ surgiu da necessidade de desenvolver uma pesquisa no Ifes – Campus Nova Venécia que abordasse um assunto comum a todos os cursos técnicos e superiores da Instituição: as geociências. O projeto visa aumentar a presença feminina nas ciências do solo, incentivando alunas de Engenharia Civil, Geologia e Geografia a se envolverem em pesquisas científicas”, explicou a pesquisadora.
O projeto que vem sendo desenvolvido por Giacometti tem dentro de sua metodologia um engajamento em escolas municipais e estaduais. A ideia é que sejam organizadas visitas de alunos a exposições e estimulada a participação em atividades educativas lideradas pelas alunas dos cursos de Geologia e Engenharia Civil do Ifes – Campus Nova Venécia, que participam do desenvolvimento da pesquisa.
Dessa forma, será possível realizar uma coleta de dados sobre o número de escolas e alunos envolvidos, feedback dos professores e alunos e o impacto percebido nas atitudes dos alunos em relação às geociências. “Espera-se que o final do projeto obtenha impacto científico, econômico, tecnológico, social e ambiental”, pontuou a professora.

“Para isso, as alunas serão orientadas a oferecer mentorias, desenvolver atividades interativas e lúdicas para crianças, jovens e até adultos e preparar materiais educativos, entre outros, na área de geociências. Nosso objetivo é fortalecer as habilidades dessas estudantes para que elas repliquem e estimulem outras jovens a ingressarem na carreira acadêmica”, detalhou.
Resoluções da Fapes específicas para mulheres
No Espírito Santo, o governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), acredita que a equidade de gênero é essencial para a evolução da área e promove políticas públicas de incentivo para que mais mulheres e meninas ingressem e se mantenham na pesquisa científica, tecnológica e de inovação.
Um exemplo dessas ações afirmativas é o edital “Mulheres na Ciência”, que visa estimular o desenvolvimento de pesquisas lideradas por mulheres no Estado, consolidando o Espírito Santo como um polo de excelência e inclusão na área científica. Já foram realizadas duas edições desta chamada pública, que se alinha ao Plano Estadual de Políticas para as Mulheres do Espírito Santo. No último edital, lançado em 2024, foram investidos R$ 5,3 milhões, recurso proveniente do Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec).
Além do edital exclusivo, a Fapes também adota outras ações para incentivar mulheres a seguirem a carreira científica, como as resoluções do Conselho Científico Administrativo da Fapes (CCAF), que são específicas e tratam do tema da maternidade para bolsistas e pesquisadoras.
Atualmente existem duas: a nº 278/2020, que estabelece critérios específicos de avaliação da produção técnico-científica de proponentes de projetos submetidos à Fundação, em razão do advento de prole (maternidade), visando a ampliar o período considerado na avaliação da produtividade. Já a de nº 344/2024 concede o afastamento temporário para licença em razão de maternidade por até 180 dias, mediante apresentação dos documentos necessários no prazo de 30 dias a contar do nascimento, do parto, da adoção ou da obtenção de guarda judicial para fins de adoção.
Marcela Giacometti, professora e pesquisadora que está desenvolvendo o “Mãos na Terra”, um dos projetos beneficiados pelo edital “Mulheres na Ciência”, contou que iniciativas como essas são “fundamentais para equilibrar a representatividade de gênero na ciência, oferecendo às pesquisadoras capixabas oportunidades de protagonismo e liderança em projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação”.
Próximo edital Mulheres na Ciência
A Fapes já trabalha para que o próximo edital exclusivo para mulheres cientistas seja lançado e com novidades. Está prevista para 2025 a abertura do Edital Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação.
Cenário brasileiro apresenta evolução
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), as mulheres representam 33,3% de todos os pesquisadores no mundo e apenas 12% delas são membros de academias científicas nacionais. Nas áreas de tecnologia e inovação a presença de pesquisadoras é ainda menor: apenas uma em cada cinco profissionais.
No Brasil, as estatísticas apresentam um cenário de avanço das mulheres na ciência. Em 2022, 49% da produção científica brasileira tinha pelo menos uma mulher entre os autores, segundo dados do documento “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil”. Vinte anos antes, em 2002, esse percentual era de 38%.
Esse número faz o País ocupar a 3ª posição no ranking de países com maior participação feminina na ciência entre as nações analisadas (18 países + União Europeia), ficando atrás apenas de Argentina e Portugal. Ambos possuem 52% das publicações científicas com autoras mulheres.
“O papel das mulheres é fundamental para o desenvolvimento da ciência em nosso País. De acordo com dados da Capes, por exemplo, 55% dos matriculados em mestrado e doutorado atualmente no Brasil são mulheres. A Fapes tem orgulho em contribuir diretamente no fortalecimento do trabalho das mulheres pesquisadoras por meio de editais dedicados a elas. Com isso, estamos incentivando que mais mulheres assumam a liderança científica e contribuam com a nossa relevância científica no cenário nacional e internacional”
Rodrigo Varejão, diretor-geral da FapesSurgimento da data
Em 22 de dezembro de 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, que acontece anualmente em 11 de fevereiro, com o objetivo de reconhecer o papel fundamental exercido pelas mulheres e pelas meninas na ciência e na tecnologia.
A data foi implementada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a ONU-Mulheres, em colaboração com instituições e parceiros da sociedade civil. O dia é uma oportunidade para promover, de forma plena e igualitária, o acesso à ciência e à participação de mulheres e meninas nessa área.
Fonte: Comunicação Fapes