O Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) foi eleito o terceiro melhor do mundo e o melhor da América Latina em um estudo que avaliou 100 fundos soberanos em todo o mundo. Juntos, os fundos avaliados somam um patrimônio estimado de 11.8 trilhões de dólares. O ranking, desenvolvido pelo Instituto de Estudos de Fundos Soberanos (IEFS), avaliou os pilares de transparência, estrutura e governança.
O “Ranking Global de Fundos Soberanos 2025”, desenvolvido pelo IEFS, avaliou 100 fundos em 69 países de todos os continentes, sendo o primeiro fundado em 1854 e o mais recente em 2024. O estudo utiliza a ferramenta inédita chamada Matriz de Avaliação de Fundos Soberanos (Mafs) para avaliar 20 itens de verificação e confirmar se o fundo analisado possui elevados padrões de governança, transparência e estrutura. Para cada item, é atribuído um ponto na classificação geral.
O Fundo Soberano da Noruega conquistou a primeira colocação no ranking, com o total de 17/20 pontos (17 pontos de 20 pontos possíveis). O Funses ocupou a terceira posição global, com o total de 15/20 pontos – mesma pontuação de fundos de países como Estados Unidos, Bélgica e Grécia.
O economista e diretor do Instituto de Estudos de Fundos Soberanos (IEFS), Eduardo Bassin, apontou que o Fundo Soberano do ES se destaca nos itens de verificação relacionados à transparência e à governança:
“O Fundo Soberano do Espírito Santo atende à maioria dos critérios, o que reforça a posição como modelo de gestão. Em dois itens especificamente, de auditorias privadas e de gestores sujeitos a mandato, é o único do País a pontuar. Já entre as melhorias, ou seja, pontos que o Funses não tem – ou não há informação disponível publicamente no site oficial – está a participação da sociedade civil em seu Conselho. Hoje, no Brasil, o único fundo que conta com um representante da sociedade civil é o de Ilhabela”, comentou Bassin.
Na classificação por localização geográfica, o Funses liderou o ranking da América Latina, que teve 14 fundos analisados em sete países. Entre os destaques, o Fundo Soberano do Espírito Santo foi o único a pontuar regionalmente no item de verificação “Código de Conduta”.
“Dos 100 fundos avaliados, apenas 41 mostraram evidências de possuir um código de conduta. Na América Latina (que conta com 14 fundos), apenas 7% dos fundos avaliados mostram evidências de possuir o citado documento, ou seja, um fundo (o Fundo Soberano do Espírito Santo)”, expõe o estudo.
O reconhecimento internacional demonstra a solidez e a eficiência do Fundo Soberano do Espírito Santo, consolidando como referência para outras unidades da federação e reforçando a capacidade do estado de planejar o futuro com responsabilidade e inovação.
Ricardo Ferraço, governador em exercício do Espírito Santo, disse que os resultados refletem o compromisso do Estado com o avanço tecnológico, aumento da produtividade e a geração de impacto produtivo e social para os próximos anos: “Esta avaliação qualifica o nível de organização do nosso Espírito Santo. É, também, um atestado do nível de governança e eficiência”, completou.
Investimento no Plano de Descarbonização do Espírito Santo
Durante o mês de março, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), por meio do Observatório Findes, lançaram a pesquisa inédita “Descarbonização e Eficiência Energética”, onde apontou que 88% das empresas participantes possuem interesse em financiar e implementar projetos de eficiência energética, 86% têm interesse em uso de energias renováveis, 78% se interessam por gestão de resíduos e economia circular, 66% na digitalização e automação para redução de emissões, 65% na descarbonização do transporte e logística, 60% em tecnologias verdes e 51% em captura e armazenamento de carbono.
A pesquisa é o primeiro passo para definir como serão investidos R$ 500 milhões destinados pelo governo do Estado, com recursos do Fundo Soberano, para o financiamento de projetos de descarbonização nas empresas capixabas.
“O Espírito Santo se caracteriza por fazer boas políticas públicas, e elas começam sempre por entender aquela demanda. O governador Renato Casagrande é um líder nacional na temática das mudanças climáticas e determinou foco na descarbonização nos próximos dois anos. O Estado tem uma grande vantagem comparativa com outros estados do Brasil de poder investir R$ 500 milhões do Fundo Soberano no financiamento dessas iniciativas”, considerou o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive.
Funses1 e investimento de R$ 50 milhões em 2025
Gerido pela Quartzo Capital, o Funses1 – Fundo de Investimentos em Participações, foi criado em 2022 com recursos do Fundo Soberano, com o objetivo de atrair novos negócios e diversificar a matriz econômica do Espírito Santo, gerando emprego e renda para a população. Além do investimento financeiro, o Fundo Soberano do ES também oferece um processo de aceleração de aproximadamente quatro meses, realizado pela ACE Ventures, para proporcionar às startups o suporte necessário para se posicionarem no mercado.
Desde a criação, já foram investidos mais de R$ 70 milhões em 33 startups. O objetivo, segundo o gestor do fundo e sócio da Quartzo Capital, Marcel Malczewski, é alcançar o número de 500 startups aceleradas digitalmente e destinar mais de R$ 150 milhões em investimentos para empresas mais maduras. Só em 2025, estão previstos cerca de R$ 50 milhões em investimentos.
“Em 2025, a expectativa é ultrapassar os R$ 50 milhões investidos. Para isso, seguimos na busca por projetos inovadores, que ainda não vimos e, principalmente, aquelas que estejam dispostas a atuarem no Espírito Santo. Apoiamos esse mix com predominância de projetos locais capixabas, mas também com a chegada de empresas de outras partes do Brasil”, explicou Malczewski.
O Funses1 é destinado a empresas de tecnologia criadas no Espírito Santo, que tenha ou venha a ter investimentos no Estado ou que tenha sede fiscal em território capixaba.
Fundo Soberano do ES
O Fundo Soberano do Espírito Santo foi criado em 17 de junho de 2019 e logo se consolidou como uma iniciativa inovadora e pioneira no Brasil. Sob a liderança do governador Renato Casagrande (PSB) e com a participação do deputado estadual Tyago Hoffmann (PSB), à época secretário de Estado de Governo e atualmente secretário de Estado da Saúde, o fundo foi estruturado para garantir investimentos estratégicos e sustentáveis para o futuro do Espírito Santo.
Para Hoffmann, a conquista reforça o compromisso do Espírito Santo com a inovação e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos. “Tive a honra de liderar a criação do Fundo Soberano ao lado do governador Renato Casagrande, e ver o Espírito Santo sendo reconhecido globalmente por essa iniciativa é motivo de grande orgulho. O fundo é uma ferramenta essencial para garantir investimentos estratégicos e para impulsionar o crescimento sustentável do nosso Estado”, pontuou o secretário.
O Fundo Soberano é alimentado, principalmente, por royalties de petróleo e gás. Trata-se de um tipo muito específico de receita pública, que se singulariza por seu caráter transitório, porque envolve a exploração de recursos naturais não renováveis. Uma das aplicações que pode ser dada aos royalties é a sua utilização para proteger as próximas gerações contra os efeitos do vazio econômico que poderá resultar, futuramente, no exaurimento das reservas de petróleo e gás.