O Espírito Santo deu um passo estratégico na política ambiental e econômica com o anúncio da gestora vencedora do Fundo de Descarbonização, que teve sua criação anunciada no fim de 2024 pelo governo do Estado e pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes). O processo de escolha da gestora foi finalizado na última quarta-feira, 30 de julho, tendo a BTG Pactual Asset Management como vencedora.
A etapa final da seleção será a due diligence (um processo de investigação e análise aprofundada), que deve ocorrer até setembro. A iniciativa vai destinar R$ 500 milhões em recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), oriundos da exploração de petróleo e gás, para financiar a transição para uma economia de baixo carbono no Estado. O montante coloca o Espírito Santo em posição de destaque, sendo um dos maiores aportes subnacionais já anunciados na área.
O edital
O edital recebeu 11 propostas de gestoras nacionais interessadas. O objetivo da chamada pública foi selecionar uma proposta para estruturar e gerir um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) voltado a investimentos sustentáveis, com foco na redução das emissões de gases de efeito estufa no Espírito Santo, em conformidade com o Plano Estadual de Descarbonização, que estabelece metas de redução de 27% até 2030 e neutralidade de carbono até 2050.
O Funses, por meio do Bandes, vai subscrever cotas do Fundo de Descarbonização, com um capital comprometido de R$ 500 milhões, podendo haver novos aportes a critério exclusivo do próprio Funses.
De acordo com o governador do Estado, Renato Casagrande, o Fundo de Descarbonização do Espírito Santo é algo inédito no País. “Agora, com essa parceria com o BTG Pactual, a gente tem certeza de uma gestão séria e comprometida com os resultados que queremos alcançar, rumo a um Estado totalmente descarbonizado e ajudando o País a alcançar as metas do Acordo de Paris”, pontuou Casagrande.
O diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, destacou que o Fundo de Descarbonização caminha na direção de integrar a agenda climática à lógica do desenvolvimento econômico do Espírito Santo, fator que já acontece em outros países e que no Brasil não pode ser diferente.
“Pensar nas mudanças climáticas é pensar no nosso modelo de crescimento, de geração de renda, de futuro. Essa é uma pauta que não admite extremismos, mas exige seriedade, visão de longo prazo e compromisso. As mudanças climáticas já impactam a economia, e nosso desafio é gerar soluções que conciliem desenvolvimento com sustentabilidade”, afirmou Saintive.
Além disso, o diretor-presidente do Bandes contou que a chamada pública atraiu gestoras com elevado nível técnico e institucional, o que elevou o grau de exigência do processo. De acordo com Saintive, a equipe do Bandes conduziu todas as etapas com rigor, transparência e responsabilidade pública, assegurando a integridade e a legitimidade da seleção.
“A qualidade das propostas recebidas evidencia a maturidade do mercado e confirma a relevância do Fundo como um instrumento estratégico para fomentar investimentos sustentáveis no Espírito Santo. O resultado obtido é um marco importante na consolidação de uma política de desenvolvimento alinhada aos desafios e às oportunidades da transição climática”, acrescentou Marcelo Saintive.
O Fundo de Descarbonização
O Fundo de Descarbonização tem o objetivo de financiar projetos voltados à eficiência energética, geração de energia solar, produção e uso de biometano, reflorestamento, entre outras iniciativas que contribuam para a redução da pegada de carbono no Espírito Santo.
O Fundo é operado com recursos do Fundo Soberano do Estado, criado em 2019 para garantir a gestão responsável e de longo prazo das receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural, em benefício das gerações presentes e futuras.
Fonte: Comunicação Institucional do Bandes

