O amor dos brasileiros por seus animais de estimação tem se convertido em números expressivos para a economia. Em 2024, o mercado pet no País faturou mais de R$ 75 bilhões, alta superior a 9% em relação ao ano anterior. A projeção é que, até o fim de 2025, o faturamento alcance R$ 78 bilhões. Esse desempenho coloca o Brasil como o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.
No Espírito Santo, o crescimento médio é de 12% ao ano, já tendo chegado a 13,5% em 2025, e a tendência é de expansão para áreas cada vez mais especializadas: “Há possibilidade de crescimento em serviços como creches, hotéis, spas, academias e até festas para pets. Além disso, a demanda por alimentos mais naturais e saudáveis, e por dispositivos inteligentes para o cuidado diário, está em alta”, explica a analista do Sebrae/ES Andréa Gama.
A força desse segmento não está apenas na venda de produtos, mas também na diversificação de serviços. Em grandes centros, como São Paulo, surgem espaços inovadores, como o primeiro “dog club” da cidade, que oferece até parque aquático compartilhado por humanos e animais. Essas novidades revelam uma transformação no papel dos pets dentro das famílias, que passam a ocupar um espaço cada vez mais central no cotidiano e nos gastos dos brasileiros.
No Espírito Santo, esse movimento também é visível. Um exemplo é a Cat Experience, localizada em Itapuã, Vila Velha, primeira cafeteria temática de gatos do Estado. Mais do que um espaço para tomar café, o empreendimento combina gastronomia de alto padrão com a oportunidade de interagir com felinos disponíveis para adoção responsável.
O local conta com um lounge envidraçado onde visitantes podem observar os animais e, mediante uma taxa simbólica revertida aos cuidados dos gatos, entrar para brincar e conhecer os futuros adotáveis. Além disso, o cardápio da cafeteria reflete o compromisso com a inclusão, oferecendo opções para vegetarianos, veganos e pessoas com restrições alimentares, como intolerância à lactose ou glúten. O conceito, já popular em países como Japão e Taiwan, reforça como experiências inovadoras também ganham espaço no mercado capixaba.
Mercado pet no Espírito Santo
No Espírito Santo, os números mostram que a tendência de crescimento é também significativa, ainda que marcada por uma dinâmica de aberturas e fechamentos de empresas.
Segundo dados do DataSebrae, o Estado conta atualmente com 2.724 empresas ativas no comércio varejista de animais vivos, artigos e alimentos para pets. A maior parte desse universo é formada por Microempreendedores Individuais (MEIs), que somam 1.595 negócios ativos, seguidos por 990 microempresas, 123 empresas de pequeno porte e 16 de médio e grande porte.
Só em 2025, 263 novas empresas foram abertas no setor, enquanto 253 encerraram suas atividades. No ano passado, o saldo foi semelhante: 423 aberturas contra 355 fechamentos. Essa movimentação evidencia que, embora o mercado esteja em expansão, ele também é competitivo e exige estratégias de diferenciação para garantir sustentabilidade no longo prazo.
“Setor que cresceu mesmo na crise”
Para a analista do Sebrae/ES Andréa Gama, a resiliência do mercado pet impressiona. “Foi um setor que cresceu mesmo na crise: 13,5% em 2025, e continua crescendo”, afirmou. Entre os fatores que impulsionam esse avanço, ela destaca a humanização dos animais, o aumento da adoção durante a pandemia e os impactos positivos da convivência com pets na saúde mental das pessoas.
“Os benefícios emocionais e de saúde que a convivência com um pet proporciona — bem-estar, redução do estresse, combate à depressão — explicam por que o brasileiro investe cada vez mais nesse segmento”, explicou Gama.
Oportunidades para os empreendedores capixabas
A analista do Sebrae/ES também chamou atenção para a importância da estratégia na hora de abrir um negócio no setor. “É importante a decisão da região que irá estabelecer o empreendimento, fugindo de áreas com muitos concorrentes ou grandes redes”, orientou.
Segundo Andréa, os pequenos negócios podem se destacar ao estar próximos do consumidor e oferecer serviços complementares a clínicas veterinárias ou outros estabelecimentos do ramo. “O MEI e o empresário de pequeno porte podem se beneficiar ao estar perto do cliente e investir em atendimento humanizado. Segurança no serviço e uma boa experiência geram fidelização e relacionamento”, acrescentou.

