O Espírito Santo tem avançado na consolidação de um ambiente cada vez mais propício à inovação, com iniciativas que conectam empreendedores, poder público, universidades e a sociedade civil em torno de estratégias para o desenvolvimento regional.
Nesse contexto, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES) passa a adotar uma nova metodologia de atuação voltada à estruturação dos chamados Ecossistemas Locais de Inovação (ELI), ferramenta que busca fortalecer as dinâmicas territoriais e impulsionar o crescimento sustentável a partir das vocações de cada região.
Como parte desse movimento, o Sebrae/ES promoveu, no início de outubro, um repasse da metodologia ELI, realizado no SebraeLab, em Vitória, com a participação de consultores credenciados e gestores das regionais da instituição.
A capacitação foi conduzida por Raquel Minas, do Sebrae Nacional, e teve o objetivo de aprofundar o entendimento sobre o método, que permite identificar o nível de maturidade da inovação em cada território e orientar a implementação de ações para o fortalecimento dos ecossistemas locais.
A iniciativa marca uma etapa preparatória para a aplicação do ELI no Espírito Santo, prevista para começar em 2026, e reforça o compromisso do Sebrae/ES em promover conhecimento e ferramentas que apoiem o desenvolvimento da inovação no Espírito Santo.
Para detalhar o funcionamento da metodologia, seus diferenciais e as expectativas para os próximos anos, o WhitepaperDocs conversou com Poliana Dadalto, gestora estadual do ELI no Sebrae/ES, que explica como a instituição vem se antecipando às transformações do ecossistema capixaba e o que a nova metodologia representa para o futuro da inovação nos territórios.
WhitepaperDocs — O Sebrae realizou nos dias 2 e 3 de outubro um repasse da metodologia ELI. Para começar, o que exatamente é essa metodologia e qual é o seu objetivo principal?
Poliana Dadalto, gestora estadual do ELI no Sebrae/ES — A metodologia ELI, que significa Ecossistemas Locais de Inovação, é uma ferramenta estratégica desenvolvida pelo Sebrae com o objetivo de diagnosticar, planejar e fortalecer os ambientes de inovação nos territórios. Ela permite compreender como os diferentes atores — empresas, governos, universidades e sociedade civil — estão articulados em torno da inovação. A partir desse diagnóstico, conseguimos orientar ações mais eficazes para desenvolver um ecossistema que favoreça a criação de soluções inovadoras, o empreendedorismo e o crescimento sustentável das regiões.
O que caracteriza um ecossistema local de inovação e por que essa abordagem é importante para o desenvolvimento regional?
Um ecossistema local de inovação é caracterizado pela interação entre diferentes atores que contribuem, direta ou indiretamente, para a geração de inovação em um território. Estamos falando de empreendedores, startups, universidades, poder público, sociedade civil organizada, entre outros. Quando essas partes atuam de forma coordenada e estratégica, os resultados tendem a ser mais consistentes e duradouros. Essa abordagem é fundamental para o desenvolvimento regional porque respeita as vocações locais, potencializa os recursos já existentes e fortalece a governança, promovendo soluções que realmente atendem às necessidades do território.
Na prática, como a metodologia ELI funciona? Quais são as etapas envolvidas no diagnóstico e no fortalecimento de um ecossistema local?
A metodologia é estruturada em cinco etapas. A primeira é a mobilização e o engajamento dos atores locais, momento em que as lideranças do território são envolvidas no processo. Em seguida, ocorre o diagnóstico e o mapeamento do ecossistema, com base em entrevistas, oficinas e indicadores que permitem avaliar o estágio de maturidade do território.
A terceira etapa é o planejamento estratégico, quando é elaborado um plano de ação participativo, com metas claras para o desenvolvimento da inovação local. Depois vem o acompanhamento e a implementação das ações, garantindo que as iniciativas saiam do papel com foco em resultados concretos. Por fim, há a avaliação e a melhoria contínua, para revisar e aprimorar o trabalho de forma permanente.
Essa lógica permite personalizar as ações conforme as realidades locais e priorizar o que realmente fará diferença em cada região.
Essa metodologia será aplicada a partir de 2026. O que muda, na prática, com a implementação do ELI nos territórios? E quais são esses territórios?
Os territórios ainda estão sendo definidos com base em critérios técnicos e estratégicos, mas a ideia é contemplar diferentes regiões do Espírito Santo, respeitando as vocações locais e ampliando o alcance do desenvolvimento inovador para além das capitais e grandes centros. A expectativa é que a metodologia traga uma visão mais integrada e de longo prazo sobre o desenvolvimento local, com ações que fortaleçam a governança e a sustentabilidade dos ecossistemas de inovação.
O Sebrae tem destacado que o ELI é uma ferramenta estratégica. O que torna essa metodologia diferente de outras iniciativas voltadas à inovação e ao desenvolvimento local?
O diferencial do ELI está na sua abordagem sistêmica e no foco no território. Ele não é apenas um programa ou uma consultoria pontual: é um processo contínuo que envolve articulação, escuta ativa, construção de redes e empoderamento das lideranças locais. Essa perspectiva permite que o Sebrae e seus parceiros construam soluções sob medida para cada região, de forma colaborativa e sustentável.
Sobre o encontro de repasse realizado nos dias 2 e 3 de outubro: quem participou e qual era o perfil dos convidados?
O evento aconteceu no Sebraelab, em Vitória, e reuniu consultores credenciados e gestores das regionais do Sebrae/ES. A capacitação teve como facilitadora Raquel Minas, do Sebrae Nacional, e teve o objetivo de aprofundar o entendimento da metodologia, preparando as equipes para sua futura aplicação nos territórios.
Como foi a dinâmica desse encontro e quais foram os principais aprendizados ou resultados observados ao longo das atividades?
Durante os dois dias, os participantes puderam conhecer em detalhes as etapas do ELI, trocar experiências e discutir estratégias para a implementação da metodologia. O encontro reforçou o compromisso do Sebrae em promover conhecimento e ferramentas que apoiem o desenvolvimento da inovação no Espírito Santo, fortalecendo a atuação junto aos municípios e às lideranças locais.
A metodologia ELI pretende, de alguma forma, integrar governo, empresas e universidades? Caso sim, quais os desafios para que essa articulação funcione na prática?
Um dos principais propósitos do ELI é justamente promover a integração entre diferentes atores do ecossistema, como poder público, universidades e setor produtivo. Essa conexão é fundamental para que a inovação aconteça de forma estruturada e permanente, pois cada parte contribui com uma perspectiva e um tipo de recurso essencial para o desenvolvimento local.
Por fim, quais são as expectativas em relação ao impacto dessa metodologia nos próximos anos e o que ela pode representar para o ecossistema capixaba?
A expectativa é que a metodologia ELI ajude a consolidar um ambiente mais favorável à inovação, fortalecendo a governança e estimulando a criação de soluções locais. Ao integrar atores e planejar ações de forma participativa, o Sebrae busca impulsionar o desenvolvimento regional de maneira equilibrada, valorizando as vocações do Espírito Santo e ampliando oportunidades em todo o Estado.

