Levantamento recente da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) revela que as mulheres são maioria nos programas públicos de capacitação e inovação no Espírito Santo. No programa de formação profissional Qualificar ES, 86,1% dos alunos dos cursos online e 79,3% dos presenciais são mulheres. No perfil de apoio a pequenos negócios, o QEmpreendedor registra 87,8% de participação feminina.
Os números também se repetem na educação superior e técnica. Nos cursos de pós-graduação da Universidade Aberta Capixaba (Unac) e instituições parceiras, áreas como Educação, Saúde e Direitos Humanos têm mais de 70% das vagas ocupadas por mulheres. Na rede estadual técnica de ensino — os Centros Estaduais de Educação Técnica (CEETs) — as matrículas femininas chegaram a 61% entre 2022 e 2025, inclusive em cursos como Mecânica e Automação Industrial.
No ecossistema de inovação, o protagonismo feminino também é visível. O programa Sementes mostra que 74% das startups apoiadas têm liderança feminina. Nos laboratórios de inovação social vinculados ao governo, como o Cocreation Social Lab, 82,1% das inscrições são de mulheres. E mesmo em programas de aceleração pública de startups, como o Seedes 1 e 2, 23% das empresas aceleradas são lideradas por mulheres — uma taxa que posiciona o Espírito Santo como referência nacional em inovação inclusiva.
O impacto das políticas de formação e inclusão
O protagonismo feminino na formação e na inovação traz vários resultados práticos. Primeiro, amplia a diversidade de ideias e abordagens em setores tradicionais. Segundo, reduz a desigualdade de gênero em ocupações historicamente dominadas por homens. Terceiro, contribui para gerar mais oportunidades de emprego e empreendedorismo qualificado para mulheres — fortalecendo a economia local.
Para o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional, Bruno Lamas, esses resultados mostram como políticas públicas consistentes podem transformar realidades.
“Quando abrimos as portas da formação e da inovação, as mulheres entram, lideram e elevam o padrão de desenvolvimento do Espírito Santo. Elas são protagonistas desse movimento e impulsionam o crescimento do Estado em todas as áreas”, destaca o secretário.
Desafios para consolidar e escalar o protagonismo
Apesar dos dados positivos, o desafio agora é transformar participação em impacto sustentável. Isso exige acesso a capital, redes de apoio, mentorias e continuidade no apoio a negócios em fases iniciais. A transição de formação para mercado, de ideias para negócios estruturados, ainda depende de suporte que vá além da capacitação.
Além disso, garantir diversidade e inclusão real no ecossistema de inovação requer políticas ativas de incentivo, visibilidade de lideranças femininas e desconstrução de barreiras estruturais que ainda persistem — como dificuldade de acesso a crédito, sub-representação em setores de tecnologia e a necessidade de conciliar empreendedorismo com desafios sociais e familiares.

