O governo do Espírito Santo apresentou o Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (PCTI-ES), documento que passa a orientar políticas públicas, investimentos e estratégias voltadas ao desenvolvimento científico e tecnológico no Estado. A iniciativa reúne diretrizes de longo prazo e chega acompanhada do anúncio de editais que somam mais de R$ 50 milhões para fomento à inovação.
Elaborado em parceria entre a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o plano foi construído por meio de um processo participativo. Oficinas e escutas envolveram representantes da academia, setor produtivo, poder público e sociedade civil ao longo da elaboração.
Durante o lançamento, realizado no Palácio Anchieta, o governador Renato Casagrande afirmou que o plano consolida uma política já em andamento no Estado e busca reposicionar o Espírito Santo no cenário nacional. Segundo ele, a proposta é fortalecer a capacidade local de produção tecnológica, ampliar a atração de startups e gerar impacto direto em emprego e renda.
“É uma alegria lançar o nosso Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação, o primeiro do País. Com isso, consolidamos uma política que já dá resultados e transformamos essa área em referência para o Brasil. Estamos mudando o perfil de desenvolvimento, atraindo startups, gerando emprego e renda e, principalmente, promovendo inovação para que não sejamos apenas consumidores de tecnologia, mas também produtores”, afirmou Casagrande.
O documento está alinhado ao planejamento estratégico estadual e estabelece a ciência, a tecnologia e a inovação como áreas prioritárias para o desenvolvimento sustentável. Na prática, o plano passa a funcionar como referência para a organização das ações públicas e para a integração entre programas e iniciativas já existentes.
Editais e incentivo à inovação
Durante o evento, realizado na última quinta-feira, dia 19 de março, também foram anunciadas novas chamadas públicas voltadas ao fortalecimento do ecossistema de inovação. Entre elas está o edital Nova Economia Capixaba 2026, que prevê mais de R$ 40 milhões para apoiar projetos desenvolvidos por empresas sediadas no Estado.
Outra iniciativa é o edital Doutor Empreendedor, com previsão de R$ 10,6 milhões destinados a doutores interessados em transformar pesquisas acadêmicas em soluções de mercado e novos negócios. A proposta busca aproximar produção científica e aplicação prática, ampliando o impacto da pesquisa no setor produtivo.
O diretor-geral da Fapes, Rodrigo Varejão, destacou que o plano representa o primeiro instrumento estruturado de longo prazo para o setor no Espírito Santo. Segundo ele, a iniciativa foi construída com apoio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, instituição supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), que também participa da elaboração do Plano Nacional de Ciência e Tecnologia.
“Este evento representa um marco para a CTI do Espírito Santo. Estamos apresentando o primeiro plano de longo prazo para o sistema de ciência e tecnologia capixaba, elaborado com o apoio do CGEE, instituição que também participa da construção do Plano Nacional de CTI”, destacou Rodrigo Varejão.
A participação do CGEE, segundo os organizadores, contribuiu para alinhar o documento às tendências nacionais e internacionais, além de integrar diferentes perspectivas na definição das prioridades do Estado.
Evento reuniu startups e debateu papel da inovação
A programação incluiu ainda a formatura de 30 startups aceleradas pelo programa Seedes, iniciativa voltada ao desenvolvimento de negócios de base tecnológica. As empresas concluíram o ciclo de aceleração com foco em validação de soluções e inserção no mercado.
O evento também contou com uma palestra da atriz Denise Fraga, que abordou o papel das relações humanas em um cenário cada vez mais orientado por tecnologia. A participação integrou a proposta de discutir inovação não apenas sob a ótica técnica, mas também social.

