A startup capixaba Kemi Nanomateriais, de Vargem Alta, conquistou reconhecimento nacional ao desenvolver uma tecnologia pioneira que transforma resíduos da agricultura em insumos de alta performance para a indústria de cosméticos. A empresa, que nasceu a partir de pesquisas científicas no ambiente acadêmico do Espírito Santo, recebeu fomento público estadual e garantiu o 3º lugar no Clean Beauty Awards, da Naturaltech, uma das principais premiações do País voltadas à sustentabilidade e inovação na cadeia de beleza e cuidados pessoais.
O foco central da startup está no modelo de economia circular e aproveitamento inteligente de matérias-primas locais. Ao reaproveitar subprodutos de cadeias agrícolas expressivas do Espírito Santo, como as cascas de café e restos do processamento de frutas, a Kemi consegue extrair compostos bioativos e sintetizar nanomateriais. Esses novos insumos servem como alternativa viável para substituir ativos sintéticos que poluem os recursos hídricos e demandam processos de extração agressivos ao meio ambiente.
A trajetória de crescimento da empresa reflete o amadurecimento das políticas de fomento ao empreendedorismo tecnológico no Espírito Santo. A estruturação do modelo de negócios e as etapas iniciais de pesquisa aplicada contaram com o apoio financeiro direto da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Por meio de programas como o Centelha-ES, a startup teve acesso ao capital semente indispensável para transferir o conhecimento gerado nos laboratórios universitários para o mercado corporativo competitivo.
O mercado de cosméticos verdes e limpos apresenta forte expansão no Brasil, impulsionado pela mudança de comportamento dos consumidores, que cobram marcas mais transparentes e responsáveis. Ao fornecer insumos com menor pegada de carbono e alta eficácia comprovada, a Kemi posiciona o Espírito Santo como um polo produtor de tecnologia sustentável para o setor de bem-estar, atendendo a critérios rigorosos de sustentabilidade e governança corporativa.
Além do edital Centelha, a startup também buscou conexões com outros programas do ecossistema capixaba de inovação para consolidar seu modelo de governança e tração comercial. A captação estruturada de recursos de fomento permitiu que a equipe investisse na adequação regulatória dos insumos junto aos órgãos competentes, etapa complexa para empresas que atuam com nanotecnologia e biologia aplicada.
O prêmio nacional obtido pela Kemi Nanomateriais valida a eficácia dos mecanismos de incentivo à inovação de base tecnológica, as chamadas deep techs. Para as lideranças do ecossistema capixaba, o avanço dessa pesquisa reforça o papel fundamental das universidades locais e do investimento público contínuo na criação de soluções que resolvem gargalos produtivos reais e geram novos ativos econômicos para o estado.

