O setor de tecnologia aplicada à saúde no Brasil consolida uma mudança de patamar técnico. A terceira edição do Radar Estratégico da Saúde aponta que o foco das instituições de saúde migrou da digitalização básica de processos internos para a consolidação da interoperabilidade, que é a capacidade de diferentes sistemas e dispositivos compartilharem dados de forma segura e ágil.
O estudo mostra que a infraestrutura integrada de dados se tornou a prioridade de gestores hospitalares e diretores de tecnologia em 2026. A etapa inicial de converter formulários de papel para telas digitais foi superada. Agora, o principal desafio das organizações está em fazer com que clínicas, laboratórios, redes de farmácias e hospitais se comuniquem com eficiência, reduzindo custos operacionais e garantindo a segurança do paciente.
No Espírito Santo, essa movimentação nacional encontra eco em políticas públicas e investimentos voltados à infraestrutura de dados. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mantém ações para expandir a rede de prontuário eletrônico unificado, buscando conectar as superintendências regionais de saúde e os hospitais estaduais para reduzir a fila de exames duplicados e agilizar encaminhamentos médicos.
O ecossistema local de tecnologia acompanha essa demanda com o apoio de incentivos estatais. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) têm destinado recursos de editais de fomento para apoiar healthtechs capixabas focadas em segurança de dados e criação de interfaces de programação que facilitem essa conexão entre plataformas.
Para as startups capixabas de saúde, a adaptação a essa realidade é determinante para a sobrevivência no mercado. Empresas que desenvolvem soluções médicas no Estado precisam adequar seus sistemas a padrões globais de transferência de dados, como o padrão FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources), sob o risco de perderem contratos com grandes redes de hospitais privados e operadoras de saúde que atuam em território capixaba.
O avanço da interoperabilidade exige governança rigorosa de dados e qualificação técnica. A consolidação dessa etapa de transformação digital depende da colaboração direta entre o setor público, os hospitais privados e as empresas de tecnologia locais, garantindo que o histórico médico do paciente seja acessível de ponta a ponta na rede de atendimento do Estado.
