Por Karol Costa, participante da cobertura jornalística do ESX 2026 realizada pelo WhitepaperDocs em parceria com o Sebrae/ES.
Ao longo de três dias de uma programação intensa e imersiva, o ESX 2026 – Espírito Santo Innovation Experience, transformou a Praça do Papa, em Vitória, no epicentro da inovação do País. Encerrada neste sábado, 13 de junho, a sexta edição do maior evento de tecnologia e empreendedorismo do Estado superou as expectativas e materializou o conceito “Inovação sem Fronteiras”, conectando ideias, gerando resultados históricos e colocando o ser humano no centro das transformações digitais.
O grande destaque desta edição foi o salto nas transações comerciais. As rodadas de negócios movimentaram cerca de R$ 41 milhões em intenções de compras e investimentos, estabelecendo um novo recorde para o evento. O valor representa um crescimento de aproximadamente 40% em relação aos R$ 24,9 milhões registrados em 2025.
Para o diretor técnico do Sebrae/ES, Eurípedes Pedrinha, o resultado foi fruto de um planejamento estratégico focado em resultados reais.
“Esse crescimento não foi meta nem métrica. Ele veio pela consolidação da marca. O aumento do público é naturalmente a resposta da sociedade ao amadurecimento do evento. Várias ações foram direcionadas para que o evento gerasse melhores conexões de negócios. Essa é a grande entrega desta edição.”
Eurípedes Pedrinha, diretor técnico do Sebrae/ES
O evento registrou um crescimento orgânico de cerca de 20% no público total, estimado entre 22 mil e 25 mil participantes nos três dias de programação, alcançando a marca de 17 mil visitantes logo no segundo dia.
De acordo com o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, a inovação precisa sair do campo da intenção e chegar à aplicação prática: “A inovação tem que estar a serviço da sociedade. E uma das formas de fazer isso é transformar inovação em negócio, em algo aplicável, que gere nota fiscal”, afirmou Rigo.
Inovação sem fronteiras
Comprovando o lema desta edição, o ESX 2026 reuniu 213 startups expositoras vindas de diversas partes do Brasil, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Roraima e, claro, o Espírito Santo.
A jornada Startup Experience foi um dos grandes motores econômicos do encontro. O evento selecionou 12 fundos e investidores de relevância nacional para interagir com as 520 startups inscritas no ecossistema. Desse total, as bancas visitaram as mais de 200 expositoras e sentaram-se à mesa com 70 delas para rodadas de negócios diretas, consolidando a origem dos mais de R$ 41 milhões previstos em investimentos.
A interiorização também ganhou força com o Eli Summit (Ecossistemas Locais de Inovação), que integrou nove regiões do interior capixaba, incluindo Alegre, Cachoeiro, Colatina, São Mateus e Aracruz. A iniciativa colocou consultores em campo para promover o diálogo entre universidades, prefeituras, governos e empresários, focando em soluções para dores locais e rompendo as fronteiras geográficas do Estado.
A força da academia e os gigantes do mercado
A presença institucional e a conexão com a comunidade acadêmica mantiveram-se importantes. A Faesa Centro Universitário, presente desde a primeira edição, levou para o espaço quatro experiências práticas desenvolvidas por alunos e professores.
Os projetos desenvolvidos nas áreas de Psicologia e Engenharia Elétrica são: Bolt, o cão de apoio emocional do curso de Psicologia; Sinalib, ferramenta criada para ampliar a comunicação com pacientes surdos; os óculos de realidade virtual que trabalham a ansiedade do indivíduo; e a B6, bicicleta inclusiva otimizada para conversão de energia sustentável.
O reitor Alexandre Nunes Theodoro celebrou o impacto dessa vitrine no desenvolvimento dos estudantes: “Os nossos alunos se mostram aqui com as suas iniciativas empreendedoras, sendo mentorados e apoiados por professores. O ESX proporciona o casamento perfeito: coloca os nossos estudantes em contato direto com esse ecossistema de inovação”, declarou.
No setor industrial, grandes corporações demonstraram como a tecnologia redefine mercados tradicionais. A ArcelorMittal levou uma verdadeira revolução para a construção civil: uma casa construída em Light Steel Frame (solução em aço).
No estande, os visitantes puderam vivenciar uma experiência imersiva para entender a lógica da construção industrializada, um processo mais rápido, limpo, eficiente e alinhado aos desafios das cidades contemporâneas.
Ciência e fomento: da pesquisa básica às tecnologias de ponta com a Fapes
A consolidação do ecossistema de ciência e tecnologia ganhou um reforço de peso com a forte presença da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). A instituição reafirmou seu papel em todas as vertentes da inovação estadual, promovendo projetos que vão desde o estímulo a estudantes da rede pública por meio do programa Pesquisador Júnior até pesquisas de pós-doutorado em laboratórios de alto desempenho.
No estande da Fapes, o público pôde interagir com quatro projetos de destaque conduzidos por bolsistas da fundação:
- Árvore solar: uma maquete detalhada da estrutura de 6 metros de altura e 21 folhas de painéis fotovoltaicos instalada na residência oficial do governador, unindo arquitetura sustentável e geração de energia limpa;
- Xadrez a laser: um jogo interativo desenvolvido pela temática de fotônica para aproximar o universo da ciência e o uso prático da luz das crianças presentes;
- Exoesqueleto: uma tecnologia voltada à saúde do trabalhador, projetada em laboratório para mitigar e mitigar a fadiga muscular em atividades laborais exaustivas;
- Projeto LuzAntar: um estudo inovador realizado na Antártica focado em avaliar a qualidade do sono de trabalhadores expostos a ciclos contínuos de seis meses de luz solar, vinculando dados de luminosidade ao bem-estar biológico.
Histórias e conexões: as startups que movimentaram a feira
O conceito “Inovação sem Fronteiras” foi visto no espaço Sebrae Startups, onde soluções disruptivas atraíram a atenção de grandes corporações e investidores.
Estreando no evento, a startup Runway chamou a atenção ao apresentar uma plataforma tecnológica voltada a estruturar a infraestrutura de capital de empresas para projetos de inovação. A solução ajuda negócios a acessarem e gerirem recursos do maior fluxo de capital da história do País, que soma mais de R$ 34 bilhões em verbas públicas gratuitas e créditos mais baratos para tecnologia. Atuando em nove estados, a Runway aproveitou o ESX para mapear novos pipelines de projetos.

Runway ajuda empresas a acessarem e gerirem capital para projetos de inovação
Outro destaque de estreia foi a BlueReach, que apresentou uma tecnologia inovadora baseada em Bluetooth e sem custo de internet ou telefonia, voltada tanto para o marketing de aproximação no varejo físico quanto para a telemetria industrial de longo alcance (capaz de monitorar o consumo e o tracking de maquinário pesado a até 20 km de distância). A solução cumpre rigorosamente as normas da LGPD e já atraiu gigantes como a ArcelorMittal durante as rodadas de negócios do evento.
Já a veterana Vibes, que participa do ESX desde 2023, utilizou a edição de 2026 para celebrar a maturidade de mercado e apresentar sua inteligência artificial própria, a Trip, além de se consolidar como braço tecnológico do Sebrae para o turismo de experiência. Hoje, a plataforma transcendeu o território capixaba, alcançando cobertura nacional e operação em mais sete países por meio do portal ecossistemadoturismo.com.
Fernando Gregório, fundador da Vibes, compara a evolução do evento capixaba com os maiores centros de inovação do País. “Acabei de chegar do Web Summit Rio, o maior evento de tecnologia da América Latina, e o ESX não deve nada para esses grandes encontros. O Espírito Santo de fato é referência”, afirma.

A startup Vibes foi uma das mais de 200 expositoras no ESX 2026
Inspiração e fomento a novos negócios
Além dos expositores tradicionais, a atmosfera vibrante das arenas de conteúdo atraiu profissionais de diferentes mercados em busca de atualização e networking. Foi o caso da empreendedora Lorena Marques, que visitou o ESX pela primeira vez e descreveu o evento sob a ótica da economia criativa. “Achei uma estrutura incrível, um verdadeiro parque de diversões para quem é da área de comunicação. Embora o foco pareça tecnologia pura, a abrangência de temas fascina”, comentou.
Lorena aproveitou a maratona de conhecimento para assistir a painéis concorridos, como a palestra “Será Que Estamos Sozinhos?”, com Sérgio Sacani, além de palestras focadas em estratégias para o TikTok e posicionamento de marca. O aprendizado absorvido nos três dias, segundo ela, será implementado de forma imediata na estruturação de seu novo negócio.
Tendências: o ser humano e a tecnologia aplicada
Com mais de 150 palestras distribuídas nos espaços Arena do Conhecimento, Palco Acelera, Palco Conexão, Espaço Experience e Business Lab, os debates deste ano apontaram para novos rumos no universo da inovação, destacando duas frentes principais que ganharam força em comparação aos anos anteriores: o fator humano e a aplicação da tecnologia no dia a dia.
Debates sobre o indivíduo e análises sobre a relação direta do ser humano com a tecnologia e a transformação superaram as discussões sobre sociedade. O foco também mudou do desenvolvimento técnico para a aplicação da tecnologia no dia a dia. Empresários foram provocados a entender como a inteligência artificial, a automação e a robótica podem otimizar o processo final de seus negócios, deixando de ser apenas um suporte de TI.
Legado
O encerramento do ESX 2026 deixa marca permanente na identidade do Estado. De acordo com o diretor técnico do Sebrae/ES, Eurípedes Pedrinha, o principal legado desta edição reside na clareza de quem somos e para onde vamos como ecossistema produtivo.
O evento, segundo Pedrinha, superou um antigo ressentimento da área: o fato de se debater amplamente o ecossistema capixaba sem que os atores locais conseguissem se enxergar efetivamente como parte dele. Ao se consolidar e dar forma palpável a essa rede viva, o ESX permitiu estabelecer as bases definitivas para uma estrutura comunitária sólida, integrada e duradoura no Espírito Santo.
“Ver e ser visto, reconhecer e ser reconhecido é a base para formar uma comunidade. E deixar essa comunidade de inovação estruturada é o nosso principal objetivo”, concluiu Pedrinha.
Realizadores e Parceiros
O ESX 2026 é uma realização do Sebrae/ES e da Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), com correalização do governo do Estado do Espírito Santo por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti).

