Por Kamily Rodrigues, participante da cobertura jornalística do ESX 2026 realizada pelo WhitepaperDocs em parceria com o Sebrae/ES
O envelhecimento da população deixou de ser apenas um tema de saúde pública para se tornar uma das grandes frentes de inovação e negócios no Brasil e no mundo. Com pessoas vivendo mais, consumindo por mais tempo e buscando autonomia, bem-estar e qualidade de vida, cresce a atenção para um público que já movimenta a economia e ainda tem muitas demandas pouco exploradas: a população 50+.
Esse mercado é conhecido como economia prateada. O conceito reúne produtos, serviços e soluções voltados para pessoas com 50 anos ou mais, em áreas como saúde, moradia, educação, finanças, turismo, mobilidade, beleza, tecnologia e estilo de vida. A lógica é simples: se o perfil da população mudou, a forma de criar, vender e atender também precisa mudar.
O tema foi destaque no ESX 2026 – Espírito Santo Innovation Experience, maior evento de inovação do Espírito Santo, durante a palestra “Economia Prateada e AgeTech, um mercado de trilhões”, ministrada por Maycon Oliveira, diretor de Marketing da MedSênior. Na ocasião, ele apresentou um dado que ajuda a dimensionar esse movimento: o Brasil reúne cerca de 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um crescimento de 60% desde 2012.
O número mostra o tamanho da oportunidade, mas também revela um desafio para empresas de todos os portes: entender quem é esse consumidor hoje.
“Já fizemos um desafio de experimento social para imitar um idoso. Será que isso representa a realidade da população brasileira? O conceito de idoso ficou ultrapassado. A população brasileira envelheceu bem”, afirmou Maycon.
O novo consumidor 50+
A população mais velha já não cabe em estereótipos antigos. Esse público está mais conectado, ativo, vaidoso, independente e presente nas decisões de compra. Também empreende, cria conteúdo, dá aulas, oferece mentorias, influencia famílias e forma comunidades digitais.
Essa mudança de comportamento tem levado o mercado a repensar produtos, linguagem, canais de atendimento e experiências. Não basta criar soluções “para idosos” a partir de uma visão limitada sobre envelhecimento. É preciso considerar desejos, hábitos, poder de compra e diferentes estilos de vida.
O diretor de marketing da MedSênior destacou que, pela primeira vez na história, seis gerações convivem ao mesmo tempo. Nesse cenário, as gerações mais velhas têm papel importante na economia.
“Quando falamos de economia, poder aquisitivo, investimento e consumo, estamos falando da geração silenciosa, baby boomers e geração X. É claro que a geração Z e alfa ditam tendência, mas não têm poder de compra alto como as gerações mais velhas”
Maycon Oliveira, diretor de Marketing da MedSênior
AgeTech: inovação para envelhecer melhor
Dentro da economia prateada, as AgeTechs ganham espaço ao desenvolver tecnologias voltadas para envelhecimento ativo, autonomia e qualidade de vida. O termo se refere a startups e empresas que criam soluções para acompanhar as novas necessidades da longevidade.
Essas soluções podem aparecer em diferentes frentes: tecnologias para envelhecer em casa, robótica e automação residencial, plataformas de cuidadores, ferramentas financeiras e prevenção de fraudes, mobilidade urbana, saúde cerebral, bem-estar cognitivo, conexão social, educação e serviços de saúde.
A tendência mostra que envelhecer bem não envolve apenas consultas médicas ou planos de saúde. Também passa por moradia adaptada, acesso digital, segurança, transporte, convivência, aprendizado, lazer e independência.
“O mundo mudou e as AgeTechs evoluíram para esse envelhecimento bem-sucedido”, destacou Oliveira.
Para empreendedores, startups e empresas tradicionais, a economia prateada abre oportunidades em setores variados. Há espaço para soluções que facilitem a rotina em casa, melhorem a mobilidade, protejam contra golpes financeiros, estimulem a saúde mental, ampliem a socialização e ofereçam experiências de consumo mais adequadas ao público maduro.
No Espírito Santo, a presença do tema no ESX 2026 mostrou que esse movimento também começa a ganhar espaço no ecossistema local de inovação, abrindo caminho para empresas e startups pensarem soluções voltadas à longevidade, ao cuidado e à autonomia da população madura.
Oportunidade ainda pouco explorada
A economia prateada desafia o mercado a abandonar uma visão ultrapassada sobre envelhecimento. O público maduro não busca apenas cuidado: busca escolha, autonomia, pertencimento, segurança, beleza, aprendizado e participação.
Para pequenas, médias e grandes empresas, esse movimento exige adaptação. Produtos, serviços e tecnologias precisam considerar que viver mais também significa consumir de outras formas, trabalhar por mais tempo, empreender, viajar, estudar e planejar novas fases da vida.
Ao final da palestra, Maycon Oliveira deixou uma provocação que sintetiza a mudança de olhar: “Quem eu quero ser quando crescer?”
A pergunta reposiciona o envelhecimento no campo dos planos e possibilidades. E, para o mercado, aponta um caminho claro: a longevidade não é apenas uma transformação demográfica. É uma agenda de inovação, investimento e criação de novos modelos de negócio.
Realizadores e Parceiros
O ESX 2026 é uma realização do Sebrae/ES e da Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), com correalização do governo do Estado do Espírito Santo por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti).
SERVIÇO
ESX 2026 – Espírito Santo Innovation Experience
Local: Praça do Papa, Vitória, ES
Data: Até 13 de junho de 2026
Horário: Sábado, das 9h às 17h
Entrada gratuita
Programação completa e inscrições: esx.com.es/inscricao

