Por Kamily Rodrigues, participante da cobertura jornalística do ESX 2026 realizada pelo WhitepaperDocs em parceria com o Sebrae/ES
Empresas de pequeno, médio e grande porte estão diante de um desafio que vai além do crescimento. Em um cenário cada vez mais competitivo, é preciso ganhar eficiência, acelerar processos e ampliar resultados, mas sem perder de vista os impactos gerados no meio ambiente, na sociedade e na forma como as organizações conduzem suas decisões. É nesse encontro entre desempenho e responsabilidade que dois temas ganharam destaque no ESX 2026 – Espírito Santo Innovation Experience: Inteligência Artificial (IA) e ESG.
Se em 2024 a IA ainda era apresentada ao público na quarta edição do ESX como uma tecnologia em expansão, hoje ela já faz parte da rotina de empresas, empreendedores e consumidores, e está presente na recomendação de produtos, no atendimento ao cliente, na análise de dados, na criação de conteúdo, na automação de processos e na previsão de comportamentos de consumo.
O ESG, por sua vez, acrescenta uma dimensão estratégica a essa transformação. A sigla, que vem do inglês Environmental, Social and Governance, reúne práticas ligadas à sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e governança corporativa, abrangendo temas como diversidade, ética, transparência, gestão de riscos e compromisso com a comunidade.
Ao longo dos três dias de programação do ESX 2026, os dois assuntos apareceram de forma complementar, ajudando a explicar um movimento cada vez mais presente no mercado: o de empresas que buscam crescer com mais inteligência, mas também com mais responsabilidade.
IA nos negócios: eficiência com propósito
A inteligência artificial deixou de ocupar um espaço experimental para se tornar parte da operação e da estratégia empresarial. Na palestra “IA aplicada ao negócio: eficiência, escala e vantagem competitiva”, realizada no Palco Acelera, o diretor de tecnologia da Wine, Clayton Freire, apresentou exemplos de como a empresa utiliza a tecnologia para aprimorar a experiência do consumidor e gerar resultados concretos.
“Usamos IA para recomendação e para fazer previsões quando estamos falando de assinatura. Mapeamos toda a jornada do consumidor, para sabermos como funciona o comportamento dele e isso está atrelado ao lucro, ao resultado”
Clayton Freire, diretor de tecnologia da Wine
A fala ilustra uma mudança importante no papel da tecnologia dentro das organizações. Mais do que automatizar tarefas, a IA tem sido utilizada para compreender melhor os clientes, antecipar demandas, personalizar experiências, reduzir falhas operacionais e apoiar a tomada de decisões estratégicas.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a adoção da tecnologia exige objetivos claros. Segundo o diretor de inovação Marcus Leitão, o uso da inteligência artificial precisa estar conectado aos resultados que a empresa pretende alcançar.
“É preciso ter foco no objetivo para usar a IA. Você quer qual resultado? Aumentar o faturamento? Melhorar o desempenho? O que eu faço hoje me acelera na velocidade que eu quero?”, questionou Marcus.
No marketing digital e na produção de conteúdo, a IA também vem ganhando espaço como ferramenta de apoio para empreendedores e criadores. Durante palestra na Arena do Conhecimento, a especialista Ana Tex destacou o potencial da tecnologia para otimizar tarefas do dia a dia e ampliar a capacidade de criação.
“Pense na IA como sua secretária e assessora, porque ela aprende você, te ajuda a criar conteúdos e te ajuda a ter ideias para alavancar o seu negócio”, explicou.
ESG precisa sair do discurso
Se a inteligência artificial oferece caminhos para acelerar processos e aumentar a produtividade, o ESG contribui para orientar a direção desse crescimento. No painel “ESG na Prática: Inovação e Impacto”, realizado no Palco Conexão, os participantes defenderam que a agenda deve fazer parte da realidade de empresas de todos os portes e também das escolhas cotidianas de empreendedores e consumidores.
“ESG não é só uma pauta para grandes empresas. Nós mesmos, no nosso cotidiano, podemos construir para que isso aconteça”, afirmou Juliana Castro, gestora estadual do Programa Plural, do Sebrae/ES.
Durante o debate, os especialistas reforçaram que o ESG não pode ser tratado apenas como um selo, uma estratégia de comunicação ou um discurso institucional. Para produzir resultados efetivos, precisa estar conectado à cultura organizacional, à operação e aos desafios concretos enfrentados por cada negócio.
“O maior desafio é construir ESG dentro da organização. A alta gestão precisa estar comprometida com o tema”, destacou a head jurídico, GRC & sustentabilidade da Vixpar, Letícia Amaral Ruggiero.
Esse compromisso passa por identificar quais impactos são mais relevantes em cada atividade econômica. Em alguns setores, a prioridade pode estar na redução das emissões de gases poluentes; em outros, na gestão de resíduos, na relação com fornecedores, na inclusão social, na segurança dos colaboradores ou na governança corporativa. A partir desse diagnóstico, as empresas conseguem estabelecer metas, indicadores e estratégias capazes de transformar intenções em ações concretas.
Onde IA e ESG se encontram
A conexão entre IA e ESG aparece na capacidade de transformar dados em decisões assertivas. A inteligência artificial pode ajudar empresas a mapear consumo de recursos, prever desperdícios, organizar informações sobre cadeias produtivas, melhorar processos de logística, acompanhar indicadores de diversidade, identificar riscos e dar mais transparência à gestão.
No campo ambiental, a rastreabilidade foi apontada como uma frente importante para transformar práticas ESG em ação concreta:
“O ESG está nas nossas vidas e precisamos de iniciativas que solucionem problemas que prejudicam a sustentabilidade. É preciso envolver todo o ciclo produtivo para fornecer soluções no dia a dia”, afirmou o founder da Destine Já, startup de destinação de resíduos, Christian José Sabino.
Ao mesmo tempo, a tecnologia precisa ser usada com responsabilidade. A IA pode acelerar soluções, mas também ampliar problemas quando não há ética, governança, segurança e olhar humano. Por isso, o debate sobre inovação passa cada vez mais por transparência, uso correto de dados e responsabilidade sobre os efeitos das decisões automatizadas.
No fim, a pergunta para empresas e empreendedores não é apenas “como crescer?”. É também: crescer para onde, com quais impactos e com quais responsabilidades?
Realizadores e Parceiros
O ESX 2026 é uma realização do Sebrae/ES e da Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), com correalização do governo do Estado do Espírito Santo por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti).

